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sábado, 22 de maio de 2010

COPA DE 2014 - Projeto prevê reativação de via férrea histórica para Petrópolis



Foto: DIVULGAÇÃO
Rio de Janeiro e Petrópolis estão próximos de resgatar uma das malhas ferroviárias mais lendárias e bucólicas do Brasil: a Ferrovia Príncipe do Grão-Pará, a primeira do país, que será revitalizada ainda em prazo a ser definido

José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil - jbonline



RIO - Rio de Janeiro e Petrópolis estão próximos de resgatar uma das malhas ferroviárias mais lendárias e bucólicas do Brasil: a Ferrovia Príncipe do Grão-Pará, a primeira do país, que será revitalizada ainda em prazo a ser definido. Interesse não falta. Inaugurada em 19 de fevereiro de 1883, a via férrea que liga a Vila Inhomirim, em Magé, à Rua Tereza, em Petrópolis, está desativada desde 1964, privando adeptos do trem de um dos visuais mais bonitos entre a cidade e a serra.
A reinstalação se dará graças ao projeto de lei nº 2736/2009, do deputado estadual João Pedro Figueira (DEM-RJ). O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa como de relevante interesse turístico e econômico para o Rio. O custo estimado é de R$ 62 milhões.




– É um dos mais belos passeios turísticos do Brasil. Com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, a região receberá mais 600 mil turistas por ano, com empregos diretos para 2 mil pessoas – entusiasma-se João Pedro, presidente da Comissão de Turismo da Alerj.
A Secretaria Estadual de Transportes, que adquiriu 30 novas composições na China por US$ 9 milhões (R$ 162 milhões), é favorável à revitalização da ferrovia. Mas avisa ser inviável ceder novos trens para o trajeto.
– A prioridade é o transporte de trabalhadores, mas podemos ajudar com mão-de-obra especializada como fizemos em Macaé e Angra dos Reis – disse o secretário estadual de Transportes, Sebastião Rodrigues.
Duas etapas
A extensão de toda ferrovia é de 55 quilômetros, sendo 49 da antiga Estrada de Ferro Mauá, que vai da Leopoldina à Vila Inhomirim – e que precisa ser recuperada – mais os seis do plano inclinado da Serra da Estrela até Petrópolis, que não tem sequer trilhos.
– O prefeito de Petrópolis é do PT, partido do Lula. O BNDES e os ministérios dos Transportes e do Turismo vão querer investir no projeto – entende João Pedro.
O prefeito de Petrópolis, Paulo Mustrangi, afirma que o município não tem como bancar o projeto.
– Precisamos de ajuda dos governos estadual e federal. Já tivemos contato com o Ministério do Turismo, que pediu a reavaliação do orçamento – disse Mustrangi.
Nos sites Manifesto Livre e Tudo é Turismo, abaixo-assinados virtuais com mais de mil adesões à revitalização da ferrovia foram encaminhados ao Gabinete Civil da Presidência da República, pleiteando a inclusão do projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os documentos relatam que, na década de 50, a malha ferroviária do Rio era de 3.800 quilômetros. Em 2003, restavam 1.250, ou seja, perda de 60% em trilhos.
Engenheiro aprova, mas pede cuidados na execução
Ex-diretor do Metrô do Rio, ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e um dos autores do plano ferroviário da cidade de São Paulo, o especialista em engenharia de transportes Fernando MacDowell, adverte sobre os riscos de se manter a malha ferroviária da Ferrovia Príncipe do Grão-Pará, que está desativada há 46 anos.


Especialista veio do Rio de Janeiro para ser ouvido na CPI da AL

MacDowell argumenta que, para o empreendimento ser bem sucedido, evitando por em risco a integridade física de seus futuros usuários, será necessária uma avaliação criteriosa de toda a malha, que começa na Estação Leopoldina, no Centro.




Exibir mapa ampliado

– Dificilmente esses 49 quilômetros de malha ferroviária até o pé da serra vão estar em bom estado. Tem que ser feito um estudo multidisciplinar das condições desse material. Sem contar a parte da serra. Antes de serem instalados os trilhos, é obrigatório checar as condições do terreno – alerta o especialista.
Segundo MacDowell, os dormentes de toda essa malha ferroviária têm que estar alinhados, e os trilhos e fixadores, aparelhos que fazem as mudanças de via, precisam ser novos.
Por tudo isso, o especialista em transporte não acredita que o orçamento estimado para a reativação da Ferrovia Príncipe do Grão-Pará ficará em R$ 62 milhões.
– Acho que não, porque cada quilômetro de malha ferroviária teria de custar em torno de apenas R$ 1 milhão. Acho muito barato – estima. – Muito material teria que ser reaproveitado para ficar só nesse valor, e isso comprometeria o empreendimento na obra.
MacDowell, no entanto, é a favor da revitalização da ferrovia, por considerá-la um patrimônio histórico do país.
– O brasileiro é doido por andar de trem, ainda mais num trajeto bucólico e deslumbrante como aquele pela serra acima – admite ele. – É o tipo do cenário em que valeria até à pena, ao invés de um trem ou uma cremalheira, colocar uma locomotiva daquelas antigas, tipo maria-fumaça, para fazer o trajeto.

Memória JB | Ferrovia democrática
A Ferrovia Príncipe do Grão-Pará transportou desde a nobreza até a plebe. Na viagem inaugural, em 19 de fevereiro de 1883, entre os ilustres passageiros estavam D.Pedro II, imperador do Brasil, e o barão do Rio Branco. Anos depois, um garoto de 17 anos subia a serra de trem para jogar futebol: Garrincha, futuro craque, que morava em Pau Grande, próximo à estação da Vila Inhomirim.
 
Ele era juvenil do time da Companhia Têxtil América Fabril, onde trabalhava e disputava campeonatos contra o Petropolitano, Serrano e Cascatinha, de Petrópolis. Até Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação, fixou residência em Petrópolis, conhecida até hoje como "a casa encantada". Machado de Assis, Rui Barbosa, Oswaldo Cruz e outras personalidades também subiram a serra via trilhos. Nos concursos de beleza, misses se hospedavam no tradicional Hotel Quitandinha. Por mais de 80 anos a Estrada de Ferro deleitou os passageiros. Até que, em 5 de novembro de 1964, foi considerada economicamente inviável e desativada.

VEJA TAMBÉM 
Palácio Quintandinha
Deputado Estadual João Pedro Figueira - http://papopolitico.blogspot.com/

terça-feira, 23 de março de 2010

JUSTIÇA/TCU - contesta obra de ferrovia que seria inaugurada por Lula


  
A Norte-Sul, ferrovia que teria mais um trecho - ligando os municípios tocantinenses de Colinas do Tocantins a Guaraí - que seria inaugurado nesta terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido alvo de contestações por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). Desde 2008, mais de dez lotes foram fiscalizados pelo órgão e apresentaram problemas, segundo o TCU, como de sobrepreço e superfaturamento.
Não houve determinação, por parte do TCU, para que as obras fossem paralisadas. No entanto, o tribunal determinou, como medida cautelar, a retenção de pagamentos - em geral 10% em cima do valor a ser pago - como forma de garantir o ressarcimento. Atualmente, o TCU está analisando os documentos de defesa enviados pelas empresas, em resposta às análises apresentadas pelo órgão.
De acordo com o tribunal, entre as argumentações apresentadas pelas empresas, prevalecem as de que os preços cobrados não estariam acima dos preços de mercado e que os problemas seriam "em decorrência do sistema de preços adotados pelo tribunal" - os parâmetros utilizados pelo TCU são os mesmos usados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Responsável por gerir a obra, a empresa pública Valec informou que tem adotado a prática de substituir as empresas que se recusarem a cumprir as recomendações do TCU e colocar a segunda colocada nas licitações para dar sequência às obras. Essas medidas, segundo a Valec, têm o objetivo de não atrasar as obras.
O motivo de a inauguração do trecho que vai de Colinas do Tocantins a Guaraí não ter sido realizada foi a forte chuva registrada na manhã de hoje em Palmas, a capital do Tocantins, onde Lula se encontrava. Ainda não foi definida uma nova data para a inauguração do trecho da ferrovia. Quando concluída, a Norte-Sul terá uma extensão de 2.760 km, ligando Belém, no Pará, ao município de Panorama, em São Paulo.