Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

DESEMPREGO NO RIO : Sem controle, vendedores ambulantes invadem vagões da @Supervia_Trens

Camelódromo sobre trilhos: sem controle, vendedores ambulantes invadem vagões vendendo de temperos e bebidas a apostilas e roupas

Foto: Bruno Gonzalez
Marcelo Dias e Talita Corrêa


Pergunte por aí onde fica a "babilônia" dos vendedores ambulantes e não espere tomar nota de um endereço fixo, como as ruas movimentadas da Saara, no Centro. É sobre trilhos que funciona o mais versátil camelódromo do Rio. A viagem dos cerca de 540 mil passageiros que utilizam diariamente os trens da SuperVia é embalada pelos bordões de quem oferece, nem sempre só no gogó, temperos para comida, artigos esportivos, bebidas, doces, salgados, bandeiras de times de futebol, roupas, apostilas para concursos, descascadores multiuso, kits escolares, DVDs, cosméticos.

— No trem, a gente vende mais. Quem é novo no ramo dá uma palavrinha com um fiscal bacana para passar com a mercadoria, ou fica mudando de vagão para não ser chamado atenção — confessa Janderson dos Santos, de 22 anos, e que, desde 2009, batuca numa caixa térmica o refrão "Olha, olha, olha a água mineral", de Carlinhos Brown. — Tem gente que pergunta se, em vez de vender bebida, eu cobro para fazer silêncio!

O show de talentos segue num ritmo intenso entre a Central do Brasil e a estação Tomás Coelho, na linha Belford Roxo. Com um conjunto de fone e microfone na cabeça, um moço anuncia o trio de DVDs infantis por R$ 10. Aproveitando o frisson da apresentação, a senhorinha das cocadas emenda: "Mas se você não tiver criança em casa, leva um agrado diet para a esposa".

Distante das plataformas, a promoção de trocadilhos continua: "Na padaria, o biscoito recheado é R$ 1,50. Na SuperVia, você leva três por R$ 5. Aprove-eeei-te!". Mas antes que alguém corrija a conta, outro vendedor grita "Pega o ovo, pega o ovo!". É o brinquedo "geleca" sendo jogado para o alto e grudando no teto do vagão. A bolinha de silicone custa R$ 3 mas, se você for acidentalmente atingido durante a apresentação, ganha desconto.

— A cena pode parecer engraçada para quem pega o trem um dia ou outro. Para quem ouve esse barulho todos os dias, não — resume a advogada Flávia de Castro, de 30 anos.

A SuperVia informou que vem desenvolvendo ações para organizar o comércio em trens e estações, buscando parcerias com grandes empresas para legalização das atividades e contratação desses ambulantes. Além disso, conta com o apoio do Núcleo de Policiamento Ferroviário em operações que combatem a irregularidade.

Mais de mil na informalidade
Encabeçando a lista de normas da SuperVia, está a proibição de "comércio não autorizado; o transporte de grandes volumes; e a prática de atividades que perturbe os passageiros".

Na contramão, cerca de cem vendedores são cadastrados pela empresa, mas pelo menos mil viajam na informalidade. Junto com eles, embarcam os pregadores da palavra de Deus, agregando fiéis e doações.

Em setembro de 2009 a 8 Vara Cível do Tribunal de Justiça determinou, em liminar concedida ao Ministério Público, que a SuperVia colocasse nos vagões avisos sobre a proibição de cultos religiosos e contivesse a ação de pregadores, sob ameaça de multas diárias no valor de mil reais pelo descumprimento da medida.

Resposta da concessionária
Em resposta à reportagem publicada ontem, acerca das punições aplicadas pela Agência Reguladora de Transporte (Agetransp), a SuperVia destacou: "A atual gestão da SuperVia assumiu há um ano o desafio de mudar radicalmente o serviço de transporte ferroviário. Para isso, já está em implantação um programa de investimentos, em parceria com o Estado, de R$ 2,4 bilhões, que inclui aquisições de diversos novos equipamentos. Todos esses investimentos já estão contratados e em andamento, mas requerem um tempo de aproximadamente 36 meses para serem concluídos". Sobre o novo aumento do bilhete único (de R$ 2,80 para R$ 2,90), a concessionária pondera que a tarifa anterior, de R$ 2,50, esteve em vigor por dois anos, de agosto de 2009 a fevereiro de 2011.

Fonte Extra : http://extra.globo.com/noticias/rio/camelodromo-sobre-trilhos-sem-controle-vendedores-ambulantes-invadem-vagoes-vendendo-de-temperos-bebidas-apostilas-roupas-3746833.html#ixzz1kSTsaPKT 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SEGURANÇA NO RIO - Série de mortes à sombra da cúpula da Polícia Civil


Mais de 15 assassinatos serão investigados novamente pela Secretaria de Segurança

POR JOÃO ANTÔNIO BARROS


Rio - O desdobramento da Operação Guilhotina promete devassar uma série de assassinatos de grande repercussão ocorridos nos últimos anos no Rio de Janeiro. São casos em que há evidências da participação de policiais civis e militares, que tinham acesso livre à cúpula da Polícia Civil, em mais de 15 homicídios. A informação sobre o envolvimento dos agentes foi encaminhada na terça-feira pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal à Secretaria Estadual de Segurança.
No atentado a bomba contra Rogério Andrade, o contraventor, que estava no carona, escapou, mas o filho morreu | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia


Entre os crimes, está o atentado ao bicheiro Rogério Andrade, em abril, na Barra da Tijuca, que liga bicheiros e policiais na contratação de um israelense para instalar e detonar a bomba no carro do contraventor, que escapou com ferimentos. Na explosão, morreu o filho de Rogério. 


O relatório — com a descrição dos crimes, a forma de agir do grupo e o pedido de nova análise nas investigações — foi feito com base nas informações passadas pelos ex-informantes que ajudaram a Polícia Federal na Operação Guilhotina. 


O atentado a Rogério ganha seis páginas de detalhes. Revela que o acerto final do crime foi num encontro em Duque de Caxias, onde um israelense procurado pela polícia dos Estados Unidos fechou a contratação de um amigo que veio de Israel especialmente para executar o ataque.


O crime, de acordo com o relatório, foi encomendado por dois bicheiros do Rio e contou com o auxílio de um PM, que tinha trânsito livre ao esquema de segurança de Rogério Andrade. O material para confeccionar o explosivo teria sido fornecido pelo sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, morto ano passado por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). 


A bomba teria sido colocada no carro do bicheiro quando ele ficou parado em um estacionamento na Zona Oeste. O ‘homem-bomba’ teria parado seu carro perto e rastejado até o veículo do contraventor. É citado no relatório que o israelense enviou mensagens via MSN para o contato no Brasil com a promessa de retornar e ‘completar o serviço’. 


O documento com os crimes cometidos pelos agentes investigados na Operação Guilhotina revela ainda bastidores da pistolagem no Rio de Janeiro, que inclui até um consórcio de mais de 20 homens para atuar em empreitadas. ‘Mão-de-obra’ empregada, segundo as investigações, na morte de quatro empresários e uma funcionária ligados à venda de títulos de clubes de turismo no Rio. Uma das vítimas do grupo teria sido o ex-deputado Ary Ribeiro Brum, assassinado a tiros de fuzil, na Linha Vermelha, em 2007.


Outros casos suspeitos


CAMELÓDROMO
Alexandre Frais Pereira foi morto em Caxias, em maio de 2007, e o crime estaria relacionado a disputa pelas propinas no Camelódromo, onde a vítima presidia a associação dos ambulantes. Um grupo de policiais planejava ‘tomar conta’ dos negócios e esbarrou em Alexandre. Uma semana após o crime, um almoço realizado num restaurante no Centro do Rio celebrava a criação da nova associação e a ‘parceria’ com um grupo de policiais. O encontro foi comandado por um delegado .


BRIGA NA SEGURANÇA
O relatório aponta alguns crimes na disputa pela segurança do contraventor Rogério Andrade. Um deles seria o atentado a bomba sofrido pelo sargento Ronnie Lessa, que é atribuído ao ex-sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho. O militar foi morto numa ação da Polícia Civil, no ano passado, durante uma troca de tiros num motel em Jacarepaguá. O tiroteio, segundo o relato dos informantes, teria sido uma farsa para encobrir o assassinato de ex-sargento.


BICHEIRO SUSPEITO
Outra série de assassinatos teria sido cometida, segundo o documento, a mando do bicheiro José Luiz Barros Lopes, o Zé Personal, que administra um pedaço do espólio do contraventor Valdomiro Paes Garcia, o Maninho. São cinco inquéritos citados no levantamento e, entre eles, o desaparecimento de quatro rapazes, a morte de um ex-colaborador e personalidades do samba. Alguns crimes teriam ocorrido durante a briga com o irmão de Maninho, Alcebyades Garcia, que reivindicava a administração dos negócios do irmão e do pai, Valdomiro Garcia.


SUMIÇO DA CHINESA
O documento aponta que entre os crimes atribuídos ao grupo de policiais civis e militares está o desaparecimento da chinesa Ye Goue, em junho de 2008, depois que ela trocou R$ 220 mil em U$ 130 mil dólares numa casa de câmbio, na Barra da Tijuca. O crime teria ocorrido durante uma extorsão à família da vítima.


MILÍCIA NA BAIXADA
A morte de Carlos Davi, em julho do ano passado, aparece no relatório como causa de uma crise interna em uma milícia de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O assassinato ocorreu um dia antes de Carlos ser ouvido no Fórum da cidade para acusar dois policiais civis e dois militares — um deles, PM emprestado à Polícia Civil e lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).


DISPUTA FATAL
A morte de dois policiais militares também está na lista dos crimes que devem ser investigados. Eles teriam sido mortos durante a divisão de 100 quilos de cocaína, apreendida durante uma extorsão a um traficante em Vitória, no Espírito Santo. Os suspeitos seriam dois PMs que durante anos foram lotados em delegacias do Rio.


Ex-PM acaba morto depois de assassinar delegado
Na lista de homicídios que sugere nova apuração, estão os que vitimaram o delegado Alcides Iantorno e o seu matador, o ex-PM Alexandre Lins de Medeiros. Conforme o documento, o policial teria sido morto depois de discutir com contraventor da Zona Norte. Um dos seguranças do bicheiro faria parte do consórcio e teria chamado um amigo para cometer o crime: o ex-PM, com quem trabalhara numa delegacia especializada e que era inimigo de Iantorno. 

No plano, só ocorreu um problema: o ex-PM foi reconhecido e houve a necessidade, no dia seguinte, de ‘limpar a sujeira’. O agente ligou e combinou encontro com Alexandre, em Rocha Miranda, onde ele foi assassinado.
As armas encontradas na casa do ex-policial, detalham os informantes, pertenceriam à milícia da Favela da Praia de Ramos.

Outra forma de operar dos policiais investigados pela Operação Guilhotina, traçada na apuração da Polícia Federal, seria a de se valer das amizades na cúpula da Chefia da Polícia Civil para designar os ‘parceiros’ como responsáveis pela investigação dos assassinatos. Assim, alguns inquéritos teriam deixado a Delegacia de Homicídios do Centro para ser apurados por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, onde o efetivo de funcionários é bem menor.