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sábado, 3 de dezembro de 2011

ROMBO NO PANAMERICANO - PF: Panamericano também irrigou contas de executivos do Grupo Silvio Santos

Até aqui, apenas os administradores do banco haviam sido enquadrados por supostas fraudes na instituição

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Polícia Federal descobriu transferências no montante global de R$ 8,23 milhões do caixa do Banco Panamericano para executivos do Grupo Silvio Santos que não integravam o quadro diretivo da instituição financeira.


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Pelo menos dois beneficiários desses repasses foram indiciados criminalmente no inquérito sobre o rombo de R$ 4,3 bilhões no Panamericano - José Maria Corsi, vice-presidente da Divisão de Comércio e Serviços (DCS) do Grupo Silvio Santos, e João Pedro Fassina, que até novembro de 2010 ocupou o cargo de vice-presidente da BF Utilidades Domésticas e da Liderança Capitalização.

A PF imputa a Corsi e a Fassina gestão fraudulenta de instituição financeira e contabilidade paralela, crimes previstos nos artigos 4.º e 11.º da Lei 7492/86, que define os ilícitos contra o sistema financeiro.

Os indiciamentos ocorreram indiretamente, ou seja, por despacho do delegado que preside o inquérito 290/2010-11, Milton Fornazari Júnior, especialista em investigações sobre crimes financeiros.

Até aqui, apenas os administradores do banco haviam sido enquadrados por supostas fraudes no Panamericano. O principal acusado é Raphael Palladino, ex-diretor presidente do banco. A PF o acusa de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Corsi e Fassina são os dois primeiros executivos do grupo, sem vínculos com o banco, que a PF indiciou no inquérito do Panamericano. É a primeira investida da PF em áreas alheias à instituição financeira.

Os delegados da Polícia Federal agora estão convencidos de que o caso não se resume a fraudes contábeis, mas também aponta "apropriação do patrimônio do banco por meio do uso de empresas do Grupo Silvio Santos e com simulação de prestação de serviços".

Marcas

Entre 2008 e 2010, a empresa Alphamark Assessoria de Negócios, da qual José Maria Corsi é o majoritário, recebeu R$ 2,39 milhões da Panamericano Administradora de Cartões de Crédito que, segundo apurou a PF, "tinha como única finalidade prestar serviços típicos de instituição financeira".

Em 2008, foram repassados R$ 453,67 mil para a Alphamark; em 2009, mais R$ 1,018 milhão: e no ano seguinte, R$ 922,4 mil.

No mesmo período, a administradora de cartões depositou R$ 5,84 milhões na conta da JPF Planejamento e Pesquisas Ltda, dirigida por Fassina - R$ 1,57 milhão em 2008; R$ 2,34 milhões em 2009; e R$ 1,92 milhão em 2010.

O rastreamento da PF - amparado em relatório de auditoria interna promovida pela nova administração do Panamericano - elencava repasses unicamente para empresas controladas pelos dirigentes da instituição, como Rafael Palladino e Luiz Sandoval, que presidiu o conselho do banco e foi braço direito do empresário Silvio Santos.

A Divisão de Comércio e Serviços (DCS) integra as empresas e marcas do Grupo Silvio Santos que atuam no segmento de varejo e capitalização. É composta pela BF Utilidades Domésticas, que reúne todas as operações da marca Baú da Felicidade, pela Liderança Capitalização, cujo principal produto é a Tele Sena, e pela Promolíder, produtora de vídeo responsável pelas campanhas das marcas Baú e Tele Sena.

Ao indiciar Corsi no inquérito, a PF considerou que o artigo 2.º da Resolução 3110/2003, do Banco Central veda a contratação de correspondente bancário que tenha como principal e única finalidade a prestação desse serviço.

O Panamericano, assinala o inquérito da PF, mantinha apenas uma agência bancária, localizada na Avenida Paulista. As demais agências eram filiais da Panamericano Administradora de Cartões de Crédito.

"A empresa não era controlada formalmente pelo banco, mas sim pela Silvio Santos Participações Ltda.", destaca despacho de indiciamento de Corsi, determinado pelo delegado Milton Fornazari Júnior, que conduz o inquérito sobre o rombo no Panamericano. "A empresa pertencia de fato ao banco, pois era gerida pelos administradores do banco e existia para fraudar suas obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias."

A PF considerou que Corsi "não tem e nunca teve nenhum vínculo empregatício com o Panamericano, mas recebeu indevidamente valores transferidos do banco para a empresa controlada de fato por ele".

Segundo a PF, João Pedro Fassina "admitiu ter recebido os valores como remuneração das suas atividades desenvolvidas no Grupo Silvio Santos".

A PF considerou que "a principal fonte de recursos da Panamericano Administradora era o Banco Panamericano".



Fonte Estadao http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,pf-panamericano-tambem-irrigou-contas-de-executivos-do-grupo-silvio-santos,94648,0.htm
    

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rombo no Panamericano - O rombo maior que R$ 2,5 bi e vai precisar de mais dinheiro

Fraude contábil descoberta em setembro provocou prejuízo maior do que se esperava; valor deve ser anunciado na segunda-feira


david Friedlander e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A nova administração do Panamericano descobriu que o rombo na instituição controlada pelo Grupo Silvio Santos é maior do que os R$ 2,5 bilhões estimados inicialmente pelo Banco Central (BC) no ano passado. Por isso, o banco precisará de uma nova injeção de dinheiro.
Uma das alternativas em estudo é um novo empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que já cobriu o buraco inicial. Ainda que não entre com todos os recursos necessários, o FGC deve oferecer ao menos um pedaço do novo aporte.
O FGC é uma entidade privada, mantida pelos bancos desde 1995, que tem como principal função proteger parte dos depósitos dos clientes dos bancos.
Procurado, o Panamericano preferiu não se pronunciar. O diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno, disse que desconhecia as informações.
Em setembro, o BC descobriu uma fraude contábil no Panamericano, então estimada em R$ 2,5 bilhões. O escândalo veio a público no início de novembro, quando toda a antiga diretoria foi demitida. Para receber o dinheiro do FGC, o empresário Silvio Santos entregou como garantia seu patrimônio pessoal.
A maior parte dos executivos que compõem a nova direção foi indicada pela Caixa Econômica Federal, que comprou 49% do capital votante do Panamericano no fim de 2009. Até ontem à noite, estava definido que o banco estatal não vai colocar dinheiro novo na instituição.
A solução para cobrir o novo rombo está sendo negociada pela nova direção do Panamericano, pelo FGC, pelo empresário Silvio Santos, pela Caixa Econômica Federal, e é acompanhada de perto pelo BC.
O tamanho exato do rombo e a saída para cobri-lo devem ser oficialmente apresentados na próxima segunda-feira, dia previsto para a divulgação do balanço do terceiro trimestre e dos meses de outubro e novembro de 2010. A divulgação desses resultados foi adiada duas vezes.
Nas últimas semanas, as ações do Panamericano valorizaram-se fortemente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em meio a especulações de que grandes instituições estariam travando uma disputa para comprá-lo. Do início do ano até ontem, o ganho acumulado das ações preferenciais (PN) beirava os 20%.
Estado apurou que cinco bancos demonstraram interesse na participação que Silvio Santos possui no Panamericano desde que a fraude contábil veio a público. Nenhum deles, no entanto, fez proposta firme, justamente porque o balanço com o rombo definitivo ainda não foi divulgado.
Atraso
O objetivo inicial da nova administração era apresentar o balanço até meados de dezembro. Mas a complexidade do trabalho de reconstrução dos números, somada à demissão dos principais responsáveis pela contabilidade do banco, atrasou sucessivamente a divulgação.
Cerca de cem pessoas trabalham incessantemente nos números. Todas deram expediente até mesmo durante as festas de fim de ano. Folgaram apenas nos dias 31 de dezembro e 1.º de janeiro. Uma das principais dificuldades foi lidar com os sistemas de informática, que foram burlados para permitir a fraude.
Além da Deloitte, que audita as contas do Panamericano, o balanço está sendo checado pela PricewaterhouseCoopers (contratada pela Caixa) e por técnicos do Banco Central.