Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Na disputa obra a obra, caronas e maquiagens

O Globo -  De Gustavo Paul e Cristiane Jungblut

Tanto governo Lula como FH inflam dados e incorporam ações de outros

Ancorados por ambiciosos planos de ação que serviram como vitrine de seus governos e de suas campanhas eleitorais, Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva não entregaram em suas gestões tudo aquilo que prometeram — previsão possível de se fazer para o governo petista a dez meses do seu fim. Os balanços dos dois programas do governo tucano — Brasil em Ação, de 1996, e Avança Brasil, de 1999 — mostram que várias obras foram iniciadas, mas ficaram pendentes para o governo seguinte. Em três anos, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Lula concluiu apenas 40% dos R$ 638 bilhões em obras previstas para União, estados e municípios. Para cumprir as metas, Lula terá de concluir os 60% restantes em um ano, o que é difícil.
Os balanços são feitos pelos dois governos, e tanto a gestão de FH como a de Lula incluem também gastos de estados e municípios e tomam como suas obras iniciadas em gestões anteriores e/ou ainda não concluídas.
Há obras eternas como as Eclusas da Usina de Tucuruí, no Pará, iniciadas em 1981, no governo do presidente João Figueiredo, incluídas no Avança Brasil e que só devem ser concluídas este ano. A Linha 1 do Metrô do Rio, que chegou em dezembro passado a Ipanema, foi iniciada em 1975, no governo Ernesto Geisel. Os trilhos da Ferrovia Norte-Sul começaram a ser implantados no governo Sarney e constam de programas dos dois governos. Outro exemplo é a obra do Porto de Pecém, no Ceará, também iniciada na gestão Sarney, e concluída por FH.
O metrô de superfície de Porto Alegre, gerido pela empresa Trensurb, é um exemplo de obra fatiada, ou seja, com a construção de trechos em diferentes períodos. Em março de 1985, a linha 1 foi inaugurada. Hoje, são 17 estações, de Porto Alegre até São Leopoldo. Todos os trechos foram inaugurados por governantes diversos. A última etapa, em execução, prevê a chegada a Novo Hamburgo e contou com a presença da ministra Dilma Rousseff, candidata do PT, no início das obras em fevereiro de 2009.
Em pleno ano eleitoral, o governo já anuncia o PAC-2, que pretende dar continuidade às obras do atual a partir de 2011. Ao fazer o balanço de três anos do PAC, Dilma, perguntada sobre o fato de em três anos o programa ter concluído apenas 40% de suas obras, preferiu não responder quando chegaria a 100%. Disse apenas que a execução do novo PAC, a ser lançado em março, terá "mais rapidez" devido ao aprendizado de agora.
Uma análise dos projetos dos governos FH e Lula mostra uma nítida opção pela continuidade de grandes obras de infraestrutura e até de programas sociais, que, em alguns casos, apenas mudaram de nome. O Bolsa Família teve como origem o Bolsa Escola, lançado em 2001. O Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) começou no governo passado. O Programa Luz para Todos, de eletrificação rural, foi precedido pelo Luz no Campo, do segundo mandato tucano

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Obras do PAC em áreas de saneamento são raras em estados em que são mais necessárias


Daniela Lima - Publicação: 07/02/2010 09:41 Correio Brasiliense Atualização: 07/02/2010 09:43
 
A julgar pelo número de obras, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deixa a desejar nos estados em que empreendimentos na área de saneamento básico são mais necessários. O Correio cruzou os dados divulgados na última quinta-feira pelo Comitê Gestor do PAC no balanço de três anos do programa com os números do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), utilizado pelo Ministério das Cidades para mensurar os avanços e as carências da área. O resultado do levantamento mostra que, ironicamente, as unidades da Federação que têm índices de coleta de esgoto abaixo de 20% concentram os menores números de empreendimentos previstos no programa.

O Ministério das Cidades justifica o feito compartilhando a responsabilidade do baixo número de empreendimentos com estados e municípios. “Levando-se em conta os números absolutos isso é verdade, mas preferimos trabalhar com o valor do investimento per capita”, explicou o diretor de Desenvolvimento e Cooperação Técnica da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, Manoel Renato. Segundo Renato, o número de obras em execução é baixo porque esses estados e municípios — a maioria está localizada na Região Norte do país — não têm capacidade técnica ou gerencial para desenvolver os projetos previstos no programa. (Veja quadro ao lado)

O estado do Amapá, por exemplo, não tem uma obra do PAC sequer para ser entregue até o fim deste ano. No último relatório do programa, consta apenas a previsão de entrega de cinco empreendimentos, após 2010. “Não é à toa que não há projetos para este ano no Amapá. A companhia de saneamento do estado passa por grandes dificuldades gerenciais, e não acessa financiamentos porque está no vermelho. Sobra como opção do PAC para ela apenas os recursos destinados por meio do Orçamento Geral da União. Ainda assim, começamos a selecionar os projetos do programa em 2007, e só temos condições de prever obras para depois de 2010”, explica.

Segundo Manoel Renato, o problema é que o estado não tem condições de elaborar bons projetos ou desenhar licitações de qualidade. “Essa é a realidade e temos que conviver com ela”, sentenciou.

O retrato é igual no Amazonas, em Rondônia, em Roraima, no Tocantins, no Pará, em Mato Grosso, em Alagoas, no Maranhão, em Sergipe, no Piauí e em Santa Catarina.

O grosso das obras de saneamento do PAC está concentrado nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, que, segundo dados do SNIS, têm estados em situação muito mais confortáveis do que os da Região Norte, por exemplo. Para se ter uma ideia, São Paulo, onde a coleta de esgoto fica entre 80% e 100% na região urbana, é o campeão em número de empreendimentos: 152 com previsão de conclusão até o fim deste ano, e mais 112 para depois de 2010.

“Nós poderíamos ter seguido o critério de capacidade de execução dos empreendimentos, mas decidimos levar em conta a carência dos estados. Enquanto em estados como o Amapá sofremos para aprovar cinco projetos de obras, São Paulo chega com mais de 500. A oferta é maior em termos de qualidade e capacidade de execução. Ainda assim, levamos o PAC para todas as unidades da Federação”, justificou o diretor do Ministério das Cidades.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PAC concluiu só 40% das obras previstas em 3 anos

Em recursos liberados, índice foi de 63,3%, segundo balanço feito por Dilma
Para cumprir o planejado no lançamento do programa, em 2007, o governo Lula terá que aplicar, até o final deste ano, R$ 235 bilhões
De Leila Coimbra e Ranier Bragon:
Três anos depois do seu lançamento, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) teve 63,3% de seus recursos liberados, um total de R$ 403,8 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo governo.
Segundo o governo, 40,3% das ações previstas foram concluídas, mas levantamento do site Contas Abertas aponta que, quando se leva em conta o número de obras prontas -dado que não consta do balanço-, o índice de conclusão chega a 10% dos cerca de 1.230 empreendimentos.
O balanço de três anos do programa -criado em 2007 e provavelmente o último apresentado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República- mostra um avanço em relação à divulgação anterior, em outubro, que apontava o cumprimento de apenas 32,9% do planejado, com investimento de R$ 208,9 bilhões.
Apesar do avanço, para cumprir o planejado o governo terá que chegar até o final do ano com um investimento no PAC de R$ 638 bilhões -R$ 235 bilhões, ou 36,7% do total, teriam que ser aplicados nos próximos 11 meses. Significa um desembolso 74% maior do que foi realizado, em média, nos primeiros três anos do programa. Assinante do jornal leia mais em: PAC concluiu só 40% das obras previstas em 3 anos