Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

MENSALÃO DO DEM - Disputa entre PF e Ministério Público atrasa denúncia

Inquérito policial foi concluído em abril do ano passado, mas procuradores veem pontos vagos e consideram investigação insatisfatória; sem processo aberto, não há réus do escândalo e os envolvidos, como Arruda, já foram vistos em praia e no exterior


Leandro Colon e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo


BRASÍLIA - O escândalo do "mensalão do DEM" no Distrito Federal, um dos maiores casos de corrupção da política brasileira, espera, há pelo menos seis meses, pela iniciativa do Ministério Público Federal de denunciar os envolvidos à Justiça. Neste período, abriu-se uma crise provocada por divergências entre os integrantes do MPF e da Polícia Federal - que na teoria são parceiros -, cabendo ao primeiro preparar uma eventual ação judicial contra os acusados. O inquérito ainda tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Polícia Federal encerrou as investigações em abril, sete meses após a abertura do inquérito, e entregou em agosto seu relatório final no qual aponta o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) como o chefe de uma "organização criminosa" para desviar recursos públicos por meio de empresas contratadas por seu governo. Não pode ser aberto processo se não for apresentada a denúncia. Isso significa que, na prática, até agora, não existe nenhum réu do caso.

O "mensalão do DEM" ganhou repercussão nacional em novembro de 2009 por causa dos vídeos em que políticos, entre eles Arruda, recebiam dinheiro vivo oriundo de recursos públicos. De lá para cá, os investigados começaram a retomar suas atividades, alguns, inclusive, no atual governo de Agnelo Queiroz (PT). Desde então, Arruda, cassado e preso durante o inquérito, foi visto em Nova York e numa praia da Bahia.

O Estado conversou com pessoas ligadas à investigação. A Procuradoria-Geral da República, representante do Ministério Público no inquérito, considerou insatisfatório o relatório da PF. Para os procuradores, o documento tem pontos vagos e pouco avançou em relação à megaoperação policial realizada com base nos depoimentos de Durval Barbosa, delator do esquema.

Integrantes da Procuradoria reclamam, por exemplo, dos métodos da PF e da sua demora em realizar a perícia no material apreendido. Esses elementos, avaliam os procuradores, contribuíram para a demora em elaborar uma denúncia consistente à Justiça. A missão na PGR é preparar algo ainda neste semestre.

A equipe do delegado Alfredo Junqueira, responsável pelo caso na polícia, considera que cumpriu sua missão e que a "Caixa de Pandora", nome dado à operação, é um caso encerrado na PF. Segundo um agente policial, a PF "fez sua parte". Os policiais não têm acesso à investigação desde abril, quando devolveram os autos à Justiça. No dia 9 de agosto, o relatório assinado pelo delegado foi enviado ao STJ.

Ânimos. A procuradora Raquel Dodge, que chefia o inquérito na PGR, mantém um contato distante e protocolar em relação ao delegado Junqueira. Desde abril de 2009 os dois não mais se falaram. Integrantes da polícia mencionam uma postura "executiva" de Dodge frente às investigações ao ter evitado acompanhar depoimentos, entre outras diligências. Ela delegou a tarefa à PF e aos promotores locais. Aliados de Dodge lembram que é prerrogativa de um procurador seguir ou não de perto essa etapa da apuração e criticam a postura do delegado Junqueira no episódio.

Já o ministro do STJ Arnaldo Esteves, que comanda o inquérito, relata a amigos que se mantém longe do processo. Ele assumiu o caso após o colega Fernando Gonçalves, seu antecessor nos autos, aposentar-se em abril. Esteves acredita que a investigação poderá sair do STJ caso o Tribunal de Contas do DF conclua a apuração do envolvimento do conselheiro Domingos Lamoglia no escândalo. Aliado de Arruda, ele foi afastado do cargo e responde a processo disciplinar. A investigação só está no STJ porque Lamoglia tem foro privilegiado. Caso ele seja cassado, o inquérito passa a tramitar na primeira instância.

terça-feira, 13 de abril de 2010

MINISTÉRIO PÚBLICO - MP do DF entra com ação contra ex-governador Joaquim Roriz


MP quer punir ex-governador por improbidade administrativa.
Se condenado, Roriz pode ficar inelegível por cinco anos.

Débora Santos Do G1, em Brasília

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entrou nesta terça-feira (13) com uma ação na terceira vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) pedindo que o ex-governador Joaquim Roriz seja punido por improbidade administrativa.

Durante operação Aquarela, deflagrada pela Polícia Federal em 2007, o ex-governador teria sido flagrado por escutas telefônicas negociando a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), que chegou a ser preso. O G1 teve acesso à integra da ação em que Roriz é citado como participante, beneficiário e responsável pela indução a atos que prejudicaram o patrimônio público.

Por meio de sua assessoria, Joaquim Roriz afirmou ter estranhado que o MP tivesse descoberto esse suposto crime três anos depois de revelado o conteúdo da investigação. “Não houve crime, porque não havia relação de hierarquia entre o então senador e o então presidente do BRB. Além disso, não houve prejuízo ao erário público, porque o cheque foi regularmente descontado e tinha fundos. É estranho que tenha chegado essa conclusão em pleno ano eleitoral”, afirmou a assessoria do ex-governador, que pretende concorrer nas eleições de outubro mais uma vez ao governo do DF.

Pedido
De acordo com o documento, o pedido de condenação se justifica porque a operação de desconto do cheque violou as leis que regem a atuação de agentes públicos e gerou prejuízo ao patrimônio do BRB. O MPDFT argumenta que o desconto do cheque na tesouraria do BRB seria irregular, pois o empresário Nenê Constantino, a quem o cheque estava nominal, não era correntista do banco.

No texto da ação são reproduzidas as conversas telefônicas gravadas pela operação da PF, em que o ex-governador e o então presidente do BRB combinam como o dinheiro seria entregue na residência de Roriz e cita funcionários do banco que teriam participado a ação, violando regras da administração pública e de combate à lavagem de dinheiro. Nesse caso, a lei determina que considerando o alto valor do cheque a transação deveria ter sido informada ao Banco Central no máximo 24 horas depois da retirada do dinheiro, o que só teria acontecido sete dias depois.

A operação Aquarela da PF investigou, em 2007, um esquema de corrupção, em que o Banco de Brasília (BRB) teria contratado empresas sem licitação, que repassavam dinheiro para ONGs sem prestar serviço ao estado. O episódio da partilha do cheque ficou conhecido como a compra da bezerra de ouro, porque para justificar a conversa, Roriz afirmou que se tratava de dinheiro emprestado para a compra de uma bezerra. As denúncias levaram Roriz, então senador pelo PMDB, a renunciar ao mandato para escapar do processo de cassação. Caso seja punido, o ex-governador pode ficar inelegível por cinco anos. Ele e os outros envolvidos também teriam de ressarcir os cofres públicos.


Arruda
Outro ex-governador do DF também tem problemas com a Justiça. José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) foi libertado nesta segunda-feira (12) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele estava preso desde 11 de fevereiro por suspeita de tentar subornar uma testemunha do inquérito do mensalão do DEM de Brasília, que tramita no STJ einvestiga o esquema de pagamento de propina que envolve o ex-governador, deputados distritais, empresários e integrantes do governo do Distrito Federal. Arruda foi o primeiro governador preso no exercício do mandato.

Depois de dois meses, os magistrados da Corte Especial do tribunal entenderam que ele já poderia ser solto, uma vez que a fase de depoimentos havia sido concluída pela Polícia Federal, e o ex-governador não poderia mais tentar atrapalhar as investigações. No início da carreira política, Arruda trabalhava no governo de Roriz, mas se afastaram e agora são inimigos políticos.



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quinta-feira, 18 de março de 2010

JUSTIÇA - STF garante a pacientes amplo acesso à saúde

Corte decide que cidadão tem direito mesmo a tratamento e remédio não oferecidos pelo SUS

De Carolina Brígido:

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem, no julgamento conjunto de nove processos, que o cidadão tem amplo acesso à saúde — mesmo quando o medicamento ou o tratamento do qual precisa não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Nas nove ações, o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, já havia concedido liminar em defesa dos pacientes. A medida foi confirmada pelos demais integrantes do STF.
O entendimento tem validade só para os casos específicos, mas abre caminho para que outras pessoas conquistem o mesmo direito na Justiça, se entrarem com ações.
Uma das ações foi ajuizada pelo Ministério Público do Ceará, em nome de cinco pessoas que sofrem de doenças graves, como neoplasia e Alzheimer. Os pacientes pediam o direito de acesso contínuo a três medicamentos caros e não oferecidos pelos hospitais públicos.
Dois deles, segundo os autos, custam R$ 11,2 mil e 7,6 mil. Outro processo julgado tratava do caso de uma menina que necessitava de medicamento importado para conter o avanço de uma doença degenerativa. O tratamento custará cerca de R$ 50 mil por mês.

 

 

sexta-feira, 5 de março de 2010

POLÍTICA INTERNA - Garotinho vê 'grande armação' em ação de promotores

Em blog, ex-governador apresenta documentos que comprovariam intenção de prejudicá-lo nas eleições
Bruno Siffredi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou nesta sexta-feira, 5, em seu blog, que a ação da Procuradoria de Tutela e Cidadania, que identificou o desvio de pelo menos R$ 63 milhões no governo de Rosinha Garotinho entre 2003 e 2006, é uma "grande armação". O ex-governador apresenta documentos que supostamente comprovariam a intenção dos promotores de prejudicá-lo nas eleições e também diz ter apresentado duas representações contra eles no Conselho Nacional do Ministério Público.

Na primeira representação, que segundo Garotinho corre em segredo de Justiça, os promotores são acusados de omitirem um documento em processo contra ele. A segunda representação que Garotinho disse ter apresentado contra os promotores apontaria um "conluio" com as Organizações Globo, que teriam supostamente divulgado a notícia de denúncia contra Rosinha Garotinho antes do Ministério Público ter distribuído a petição para a vara competente. Em outro texto, publicado na quinta-feira, 4, à noite, Garotinho sugere que os promotores estariam favorecendo o atual governador do Rio, Sérgio Cabral.

Investigação

Nesta quinta-feira, 4, a juíza Mirella Letizia Guimarães Vizzini, da 3ª Vara Cível do Rio, decretou a quebra do sigilo bancário, o bloqueio dos valores e o arresto de todos os bens dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, além de outros 86 (pessoas físicas e jurídicas). Na ação, os promotores identificaram o desvio de pelo menos R$ 63 milhões, entre 2003 e 2006, no governo de Rosinha Garotinho, pelo repasse de verbas dos órgãos de governo a ONGs que passavam para empresas de fachada. Três delas receberam R$ 30,5 milhões e jamais prestaram serviço ao governo. Elas doaram R$ 600 mil à pré-candidatura de Garotinho à Presidência da República, como o próprio ex-governador divulgou no seu blog.